"Não há um milímetro do mundo que não seja saboroso" (Jean Giono)

quarta-feira

Chove em mim


Olha para o céu...

está escuro, está triste.

Sente o céu...

são gotas que caem,

mas será agua ou são lágrimas?


Quando era criança acreditava que a chuva não era mais do que as lágrimas de Deus.

Quando chovia...chove, ficava...fico sempre triste....

e como Deus não gosta de ver ninguém assim....chorava ainda mais.

Era essa a minha lógica... fazia logo com que eu sorrisse para secar-Lhe as lágrimas do rostoe ai...deixava de chover!

Na minha inocência, o facto de Deus querer me ver feliz fazia com que eu fosse realmente feliz para o fazer feliz a Ele também...no fundo só queria isso...que Ele não chorasse mais por mim!


Hoje é diferente...

Há dias em que a chuva deixa-me profundamente triste

Mas há outros em que só apetece dançar de baixo da chuva...virar a cara para o céu e sentir a cara molhada...

as gotas a cair e escorrerem pelo corpo, a frescura da natureza...

Ser livre de cantar e dançar, de correr e cair, de limpar a alma e sujar a roupa de lama.

Deixar a vida se encher de água, que limpa, que renova, que refresca, que mexe!

Contariando Vontades


Hoje tudo me parece suave, grande e ondulado

Hoje sinto-me a caminhar no mar, a leve sensação do ondular

O mar não a minha volta, mas debaixo dos meus pés

Hoje falo alto e rio baixo

Ando ao contrário da minha natureza

Hoje contrario a chuva e obrigo o sol a me aquecer

Hoje oiço poesia e leio música

Ponho dúvidas e tiro certezas

Hoje não sou eu, mas sou eu

Aqui e além, desejo e desdenho

Um dia...


"Um dia a maioria de nós irá separar-se.

Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhamos.

Saudades até dos momentos de lágrimas, da angustia, das vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim... do companheirismo vivido.

Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre. Hoje não tenho mais tanta certeza disso.

Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida. Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nas cartas que trocaremos.

Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices... Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto se tornar cada vez mais raro.

Vamo-nos perder no tempo...

Um dia os nossos filhos irão ver as nossas fotografias e perguntarão: "Quem são aquelas pessoas?" Diremos... que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto! -"Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!

"A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...

Quando o nosso grupo estiver incompleto... reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo. E, entre lágrimas abraçar-nos-emos. Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante.

Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida isolada do passado.

E perder-nos-emos no tempo...

Por isso, fica aqui um pedido: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...

Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"

Fernando Pessoa


Conheço tão bem essa certeza, essa dor, esse aperto.Mas sobretudo, conheço bem essa Saudade que parece que mata!

Silencio - Alejandro Sanz


...

"He visto a dos niños

Jurarse abrazados

Eternas locuras

Que sé que ningún ser humano

Se las ha enseñado

Y he visto a la vida

Volar de sus manos

He visto a dos niños mirarse a los ojos

Sentirse felices de estar amarrados"

...


Não há melhor estado da alma que aquele silêncio de criança

Que brinca com o mar, a areia, os cabelos, os dedos...

Brinca com a vida que nada lhe tira

Brinca e nada precisa de falar

Brinca de olhos fechados

Brinca com a brisa que o acorda

Brinca que é criança

e sem se aperceber cresce,

mas continua a sentir-se criança!

Hoje Apetece-me...!


Hoje apetece-me o amarelo do sol,

o azul do oceano.

Hoje apetece-me arrancar as palavras de quem insiste em calado ficar,

apetece-me rasgar sorrisos nos rostos quem se acha incapaz de mostrar a alegria.

Hoje apetece-me fugir e correr descalça na terra quente,

olhar para o céu e ser abençoada com gostas de chuva fresca na minha cara.

Hoje apetece-me gritar canções que ninguém quer ouvir,

pôr a dançar quem acredita as suas pernas não poder mexer.

Hoje apetece-me pintar de muitas cores a escuridão dos seus olhos,

atravessar o deserto de mão dada e chorar, falar, sorri, recordar.

Hoje apetece-me trazer cá as saudades longínguas,

falar a sua língua e fazê-la feliz.

Hoje apetece-me criar o amor que se espera e oferece-lo embrulhado com grande laço,

secar lágrimas e devolver vontades.

Hoje apetece-me dar tudo a quem merece e ficar sem nada,

apetece-me não existir e dar-lhes o meu lugar.


Porque o mundo, como eu o sinto, não pôde e não quero que seja só para mim...

Hoje apetece-me oferecer-vos!

Levitei

Nada me sustenta

Como se fosse vapor

Mexo-me lentamente


Entra-se num espaço

Isolado

Esqueçamos o que aconteceu

Experimentemos algo que nos

Esvazie

Leva-me!


Leva-me nas tuas asas de suave veludo
Faz-me voar e sentir o vento no meu corpo
Leva-me para onde fores, mas não me digas para onde vamos
Deixa-me fechar os olhos e ouvir o zumbido do teu voo
Abraça-me, aquece-me, faz-me sentir que sou eu o motivo da tua viagem
Que é por mim que consegues voar e que só assim consegues com que eu também voe
Leva-me hoje, mas deixa-me continuar amanha e depois de amanha
Deixa-me provar o sabor da tua vida, deixa-me ouvir o que ouves, ver o que vês e sentir como sentes

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