"Não há um milímetro do mundo que não seja saboroso" (Jean Giono)
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Deixa-me ser os teus...

Dizias-te tão feliz,
Gritavas ao mundo que um dia ainda voltavas a ser o mesmo
E a vida te voltou a empurrar,
Fez com que voltasses uns passos mais atrás e uns degraus abaixo.
Depois perguntam o porque da tua amargura,
O porque da tua solidão.
É que ninguém percebe a tua escuridão,
A tua dor no vazio,
O não poder a sobrepor-se ao querer.
Ninguém compreende a alma de quem as cores não pode ver, nem o rosto distinguir ser tocar,
Só tu sabes quanto vale o que Deus decidiu te tirar desde cedo.
Caminhas sozinho neste que é teu destino…
Querendo contorna-lo acabas por amaldiçoa-lo.
Quem me dera te dar os meus…
Sempre ia a tempo de aprender o que te faltou por aprender.
Quem me dera te dar a luz, a cor, a forma...
Quem me dera te trazer de volta…
No fundo sei que já não voltas, que não és o mesmo e nunca mais o serás…
Mudou o mundo, mas tu mudaste com ele e já não o consegues perceber…
Com um nó na garganta e as lágrimas a ameaçar…
É isto que posso te dar, é isto que te deixo:
Te Amo Pai.
Te Amo Pai.
De que somos feitos?

Sou feita do fogo e do gelo
Moldada com mãos e com garras
Emergente da luz e da escuridão
Tenho a alma cheia e ao mesmo tempo tão vazia
Posso gelar da mesma forma que incendeio
Agrado e desagrado
Desejo e desdenho
Sou capaz de amar e de odiar
Tenho gosto agridoce e textura ambígua
Sou da terra e do ar, da água e do fogo
Sou feita dos sonhos mais sublimes e vivo nos pesadelos mais sombrios
Sou meio anjo e meio demónio
Moldada com mãos e com garras
Emergente da luz e da escuridão
Tenho a alma cheia e ao mesmo tempo tão vazia
Posso gelar da mesma forma que incendeio
Agrado e desagrado
Desejo e desdenho
Sou capaz de amar e de odiar
Tenho gosto agridoce e textura ambígua
Sou da terra e do ar, da água e do fogo
Sou feita dos sonhos mais sublimes e vivo nos pesadelos mais sombrios
Sou meio anjo e meio demónio
Tenho bocadinhos de fada
E outros de bruxa
Mas continuo a ser eu…

Caminho sozinha, de costas para o mundo
Só com o sol a aquecer.
A minha frente um mar de acontecimentos,
Mas nenhum me atinge.
Continuo só e mais ninguém me acompanha,
Apesar de comigo estarem.
Procuro à sombra um refúgio,
Mas é para o sol que o meu corpo de vira,
Qual girassol que sem ele não consegue se erguer.
De mão dada com o delírio
E o pensamento cheios de fios.
Gela-se a alma,
Não se encontra a calma.
Luto contra a insignificância da minha revolta,
Quero virar a página,
Mas estou presa nestas linhas
Que são lidas e relidas.
Não consigo fingir, nem me apetece fingir.
Quero que o mundo saiba da minha angustia,
Gritá-lo na cara de quem me transformou
Naquilo que nunca quis ser…
Só com o sol a aquecer.
A minha frente um mar de acontecimentos,
Mas nenhum me atinge.
Continuo só e mais ninguém me acompanha,
Apesar de comigo estarem.
Procuro à sombra um refúgio,
Mas é para o sol que o meu corpo de vira,
Qual girassol que sem ele não consegue se erguer.
De mão dada com o delírio
E o pensamento cheios de fios.
Gela-se a alma,
Não se encontra a calma.
Luto contra a insignificância da minha revolta,
Quero virar a página,
Mas estou presa nestas linhas
Que são lidas e relidas.
Não consigo fingir, nem me apetece fingir.
Quero que o mundo saiba da minha angustia,
Gritá-lo na cara de quem me transformou
Naquilo que nunca quis ser…
Uma pitada da Canela do meu Fin-de-semana
The Other Side

Permite-me discordar contigo,
Contrariar a tua certeza
E mostrar-te o outro lado.
Permite-me desviar o teu caminho,
Deixar de fazer o que é certo
E soltar o negro das nossas almas.
Deixa-me mostrar-te que a dor pode ser prazer
E o carinho pode doer e congelar,
Que a escuridão também mora no dia.
Se confiares o suficiente em mim,
Prometo mostrar sem te abandonar.
Conhece, vê, sente e depois decide.
Há anjos de assas negras
E há os das assas brancas que facilmente se estragam,
Voa com aquelas que te levem a onde queres chegar.
E quando chegares lá…
Diz-me se valeu a pena,
Se era mesmo em esse local que o teu coração queria estar.
Se era mesmo em esse local que o teu coração queria estar.
Sea Music

Dói-me a mão de não escrever
E a boca de não falar,
Só a consciência continua activa
Viva, bem viva e não me deixa falhar
Grita por dentro, queima sem fogo
E a boca de não falar,
Só a consciência continua activa
Viva, bem viva e não me deixa falhar
Grita por dentro, queima sem fogo
Mas depois…
A calma, o silêncio
O fresco do vento que se deixa entrar
E o cheiro a flores acabadas de colher.
Deixa-te ficar e não faças nada,
Não contraries a natureza
Apenas fica a olhar para mim
Não cantes nada
Nem queiras ouvir canções
Deixa o mar falar por si…
Dentro de nós.
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