"Não há um milímetro do mundo que não seja saboroso" (Jean Giono)

terça-feira

Perfume a Melancolia



Sinto… o perfume a melancolia


Porque tudo o que escrevi fui busca-lo à tinta dos teus olhos,
Tudo o que escrevi foi o teu sorriso que mo ditou


O céu acha que te conhece, ele é tão bonito…que deve ser verdade,
Mas sou eu que te beijo com meus olhos húmidos de saudade

sexta-feira

Encontro-me...

fechada neste quarto com paredes de cortiça
muda de tanto gritar e surda de tanto ouvir...

Cega de tanto querer ver!

Toca-me com o teu olhar


Conheceram-se já há muito tempo
Os seus olhos tocaram-se
E um suspiro serviu de consolo
Amaram-se e de mão dada
Hoje caminham juntas
Alegria e Loucura

quarta-feira

Deixa-me ser os teus...


Dizias-te tão feliz,

Gritavas ao mundo que um dia ainda voltavas a ser o mesmo

E a vida te voltou a empurrar,

Fez com que voltasses uns passos mais atrás e uns degraus abaixo.

Depois perguntam o porque da tua amargura,

O porque da tua solidão.

É que ninguém percebe a tua escuridão,

A tua dor no vazio,

O não poder a sobrepor-se ao querer.

Ninguém compreende a alma de quem as cores não pode ver, nem o rosto distinguir ser tocar,

Só tu sabes quanto vale o que Deus decidiu te tirar desde cedo.

Caminhas sozinho neste que é teu destino…

Querendo contorna-lo acabas por amaldiçoa-lo.

Quem me dera te dar os meus…

Sempre ia a tempo de aprender o que te faltou por aprender.

Quem me dera te dar a luz, a cor, a forma...

Quem me dera te trazer de volta…

No fundo sei que já não voltas, que não és o mesmo e nunca mais o serás…

Mudou o mundo, mas tu mudaste com ele e já não o consegues perceber…

Com um nó na garganta e as lágrimas a ameaçar…

É isto que posso te dar, é isto que te deixo:
Te Amo Pai.

De que somos feitos?



Sou feita do fogo e do gelo
Moldada com mãos e com garras
Emergente da luz e da escuridão
Tenho a alma cheia e ao mesmo tempo tão vazia
Posso gelar da mesma forma que incendeio
Agrado e desagrado
Desejo e desdenho
Sou capaz de amar e de odiar
Tenho gosto agridoce e textura ambígua
Sou da terra e do ar, da água e do fogo
Sou feita dos sonhos mais sublimes e vivo nos pesadelos mais sombrios
Sou meio anjo e meio demónio



Tenho bocadinhos de fada
E outros de bruxa



Mas continuo a ser eu…

Caminho sozinha, de costas para o mundo
Só com o sol a aquecer.
A minha frente um mar de acontecimentos,
Mas nenhum me atinge.
Continuo só e mais ninguém me acompanha,
Apesar de comigo estarem.
Procuro à sombra um refúgio,
Mas é para o sol que o meu corpo de vira,
Qual girassol que sem ele não consegue se erguer.
De mão dada com o delírio
E o pensamento cheios de fios.
Gela-se a alma,
Não se encontra a calma.
Luto contra a insignificância da minha revolta,
Quero virar a página,
Mas estou presa nestas linhas
Que são lidas e relidas.
Não consigo fingir, nem me apetece fingir.
Quero que o mundo saiba da minha angustia,
Gritá-lo na cara de quem me transformou
Naquilo que nunca quis ser…

Rádio Sabor a Canela

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