"Não há um milímetro do mundo que não seja saboroso" (Jean Giono)

segunda-feira

Vontade de..


Rasgar a pele
queimar a alma
libertar a calma
ser eu sem o mundo

quarta-feira

(- ... -)


O que fazer das horas absurdas - ou não - que passam ao compasso do bater das assas das gaivotas? Que fazer do aperto no - meu - peito que faz brotar aroma de eucalipto dos - teus - poros? Que fazer do sitio que não é teu nem meu, mas nosso e hoje permanece vazio - de ti?

Tentar calar a boca que insiste em - não - contar, em - não - fingir. Fechar as mãos e apertar com a força do desejo que aconteça. Descansar os olhos no macio dos teus cabelos e na imensidão das tuas pestanas.

Acordar e começar de novo...

De Ti e de Nós


Acordo tentando exorcizar este Outono que teima em crescer dentro de mim. Acelero meus dias para fazer chegar a Primavera de Ti e o quente Verão de Nós. Mas efémeros e fugazes, eles - momentos - fogem pelos meus dedos trémulos, sem os conseguir deter. Fica-me a sensação do cálido ardor, da suavidade do teu amor e da alegria de este nosso Sol. Fica-me a certeza de sermos um do outro.



Deixei atrás os erros do que fui


Deixei atrás os erros do que fui,
Deixei atrás os erros do que quis
E que não pude haver porque a hora flui
E ninguém é exato nem feliz.

Tudo isso como o lixo da viagem
Deixei nas circunstâncias do caminho,
No episódio que fui e na paragem,
No desvio que foi cada vizinho.
Deixei tudo isso, como quem se tapa
Por viajar com uma capa sua,
E a certa altura se desfaz da capa
E atira com a capa para a rua.

[Fernando Pessoa]

Rádio Sabor a Canela

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