"Não há um milímetro do mundo que não seja saboroso" (Jean Giono)

sexta-feira

Da nossa existência


sentir. correr. te encontrar. e te contar como mexes comigo. como levantas os meus pés do chão. ouvir-te. refilar. te abraçar. te beijar. e saber que isto nos mantém vivos. falar. querer que respondas. mas não te deixar. rir da minha astúcia. e sentir-me culpada da tua ingenuidade. amar-te pela simplicidade. fugir. e voltar a correr para os teus braços. te fazer sofrer. e sofrer ainda mais. e sentir-me viva e cheia de amor quando os nossos corpos se abraçam e sentem o não poder viver sem as diferenças. sorrirmos. rirmos. corrermos de mãos dadas. e cairmos a saber que assim seria impossível continuar. dares um beijinho no meu joelho esfolado enquanto eu acaricio a tua cara. levantarmo-nos e desta vez caminharmos. teimarmos com o caminho que cada um quer seguir. e voltarmos para o pé um do outro. e tomarmos um caminho novo. diferente daquele que tu querias e daquele que eu queria. embarcarmos na aventura. e descobrirmos novas coisas...novos "nós". e amarmos com mais força aquilo que é novo em nós. e caminharmos pelo bosque. e vivermos na cabana velha de madeira que encontramos abandonada. acendermos uma fogueira. e amarmo-nos até o nascer do sol. decidirmos que aquela cabana é o nosso lugar. e recolhermos um cachorrinho que sozinho vagueava perto do rio. sabermos que ele nos completa. e tem/é aquilo que nós queremos. cria-lo. acompanha-lo. vê-lo crescer. e termos a alegre certeza que feliz nos acompanhará para o seu sempre. passarem os anos. sentirmos o mesmo. aumentarmos o "número". e cairmos rendidos ao pé daquela velha árvore da felicidade. acordar. beijar-te. receber as tuas caricias. como todos estes anos. e deixarmo-nos morrer no mais alto sentir das nossas vidas.
[Foto: Lina Scheynius]

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